A sustentabilidade é um tema que tem sido debatido de forma progressiva nos últimos anos, no mundo inteiro, em todos os setores produtivos. Isto porque desastres ambientais (tornados, incêndios, estiagem, enchentes), causados por mudanças drásticas de temperatura e umidade - no contexto do chamado aquecimento global - , têm mostrado que o ser humano está em desequilíbrio com o planeta Terra.

Acúmulo de lixo, falta de reciclagem, emissão de carbono na atmosfera, queimadas ilegais e falta de compromisso de alguns países com o meio ambiente formam o caldo de cultura para esse desequilíbrio. Muitas ONGs e associações pró-ambiente tentam minimizar o problema, mas não dão conta: é preciso que as pessoas e as empresas dêem bons exemplos, mostrem o caminho, inspirem os outros. Isso criaria
um sistema autoalimentado, um ciclo virtuoso.

No caso da carne bovina, muitos produtores têm mostrado preocupação crescente com a sustentabilidade produtiva e têm trabalhado para reduzir a emissão de carbono na atmosfera. E várias ONGs apoiam a agropecuária sustentável. Uma delas é a Rainforest Alliance - organização internacional sem fins lucrativos, presente em 70 países -, que criou uma aliança para proteger as florestas e a biodiversidade, combater as mudanças climáticas e lutar pela melhoria das condições de vida, inclusive dos trabalhadores rurais.

O GTPS - Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável, organização brasileira criada em 2007, também sem fins lucrativos, que reúne representantes dos produtores, da indústria de insumos, da indústria processadora de carnes, do varejo, do setor financeiro e da sociedade civil - articula a cadeia produtiva dissemina informação, apoia a melhoria contínua das boas práticas pecuárias. 

Produções certificadas

O Projeto Pecuária Neutra e Regenerativa iniciativa de quatro produtores mineiros - certifica propriedades com dois selos ambientais: o da Pecuária Regenerativa e o da Pecuária Neutra em Metano Entérico. O primeiro certifica propriedades com o sistema produtivo equilibrado, com foco na diversificação da produção, moniotrando os processos da fixação natural do carbono no solo através da maior eficiência do uso de água, aumento da materia orgânica e conservação do meio ambiente.

Já o selo da Pecuária Neutra em Metano Entérico atesta a neutralização dos gases de efeito estufa, emitidos pelos bovinos, sobretudo o gás metano, produzido durante a digestão. Uma propriedade pode ser neutralizada em carbono entérico diversificando sua produção, adotando, por exemplo, a integração entre gado e floresta (o chamado sistema silvipastoril).

No âmbito das associações de raças, algumas - como Angus, Wagyu e Nelore - já vinham, junto com frigoríficos, fazendo um trabalho de educação do público em geral, mostrando como funciona a cadeia produtiva, como a genética, o manejo, a alimentação influenciam na qualidade final da carne; o que muda entre um corte e outro; modos de preparo do produto. Enfim, informações que auxiliam muito no processo de "descommoditização" da carne bovina. Isto porque, no nosso entendimento, um produto que se obtém, em média, depois de quatro anos (gestação da vaca, parição, cria e recria do bezerro, engorda e abate do boi, desossa e distribuição), se assemelha mais a um projeto de uma construção do que a uma commodity não perecível (que não é o caso da carne ... )

Pois bem, a Associação Brasileira de Angus avançou um pouco mais e criou, em meados de 2019 o "Selo Angus Sustentabilidade", concedido aos p;odutores da raça que praticam a sustentabilidade, a responsabilidade social, a rastreabilidade, a sanidade, o bem-estar animal e a biossegurança.

Como dissemos no começo, quando as empresas dão um primeiro passo para a sustentabilidade elas inspiram outras instituições a fazerem o mesmo'. Uma grande conquista será construída por diversas pequenas decisões positivas de curto prazo. Muitos produtores de bovinos estão nesta direção e isso nos faz acreditar que a cadeia produtiva da carne brasi leira servirá de exemplo para muitos países.

Escrito por Sylvio Lazzarini e Dárcio Lazzarini